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Marketing Político. Você sabe escolher o que vai levar para sua casa em Brasília?

by Alexandre Gama

2006-08-17

“Os políticos deveriam ser vistos como produtos da cesta básica da nossa vida, da mesma forma que o feijão, o arroz ou o açúcar. Até porque eles acabam tendo impacto no nosso feijão, arroz e açúcar”.

Imagine a cena: uma mulher entra no supermercado, vai até as gôndolas e as olha, sem fixar seu olhar especificamente em nenhum produto. Um funcionário do supermercado pergunta: - Posso ajudar? Ela responde sem diminuir o passo nem a indiferença. - Não, obrigada, vou levar qualquer coisa.

Você nunca viu essa cena e nem vai ver. Porque, quando uma dona-de-casa vai a um supermercado, ela sabe muito bem o que quer. E, quando não sabe, procura saber. Essa cena fictícia serve, no entanto, para ilustrar minha visao sobre marketing e política. A proximidade das eleições, somada aos escândalos nos jornais onde se vê que muitos políticos não são o que suas campanhas dizem, levanta questões como: político pode ser apresentado como produto? Uma ideologia deve ser apresentada como tal? Política deveria usar o marketing?

A primeira coisa a deixar claro é que no marketing de produtos de consumo tem havido uma diferença crucial em relação ao marketing político: quando há produtos ruins, ou propaganda enganosa, o consumidor sabe como punir esse produto. Ele simplesmente não o leva mais para dentro de casa. É um processo de seleção natural implacável. No mundo do marketing de produtos de consumo, só quem cumpre suas promessas de embalagem sobrevive. Tem que funcionar. Tem que estar na data de validade. Tem que respeitar o dinheiro do consumidor. Senão vai mofar na prateleira.

No caso do marketing político no Brasil, a dinâmica infelizmente tem sido outra. Aqui, um mau produto político continua sendo comprado porque não é visto pelo brasileiro como um produto de primeira necessidade. E, portanto, na hora da compra - a eleição - o consumidor não se aprofunda em saber o que está levando para o Palácio do Planalto, em Brasília. Tem-se consumido “produtos” do marketing político como a mulher imaginária que entra no supermercado e escolhe sem mais informações, só para se livrar da obrigação. No entanto, os políticos deveriam ser vistos como produtos da cesta básica da nossa vida, da mesma forma que o feijão, o arroz ou o açúcar. Até porque eles acabam tendo impacto no nosso feijão, arroz e açúcar.

O problema não está no marketing e sim no político e no consumidor desse político: nós mesmos, eleitores. Nos falta sentimento de propriedade em relação ao país. Afinal, algo está errado quando não consideramos o Palácio do Planalto a nossa casa e não escolhemos os políticos que botamos lá como “produtos” com a função de ajudar a manter a casa limpa e funcionando.

A verdade é que, se fôssemos como eleitores uma fração do que já somos como consumidores, muita porcaria não entraria em Brasília. Muito menos se reelegeria. Seriamos mais exigentes, leríamos mais os rótulos e não aceitaríamos o preço que estão nos cobrando, se é que você me entende.

O marketing político pode, sim, estar sujeito à mesma lei de oferta e demanda que rege o marketing de consumo. Só precisamos exercer essa lei que se baseia na capacidade de quem vende de atender as expectativas de quem consome. Afinal, é a pressão que o consumidor exerce sobre o fabricante com sua preferência de compra suas respostas nas pesquisas e no SAC das empresas que faz o produtor introduzir melhorias e evolução nos produtos. Temos portanto que demandar melhor qualidade na prateleira dos partidos. Essa exigência é a única que pode levar a um novo servidor público, mais moderno, ético e eficiente.

De maneira geral, o marketing é apenas uma ferramenta que depende da mão que o usa e do objetivo. Em boas mãos é uma boa ferramenta. Por exemplo: há um marketing perfeito para ajudar a formar um eleitor melhor, capaz de demandar um político melhor: o marketing da Educação.